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sábado, 5 de julho de 2008

Satine

A tosse me leva a pensar no momento no qual Satine e sua moléstia letal se farão presentes.

[Ana Carolina: “Notícias Populares”]

Satine? Sim, aquela que morre em Moulin Rouge. O quê? Você não havia assistido e eu contei o final do filme? Não tem problema; na verdade este é o início, o que me faz lembrar Machado de Assis, caso este não tivesse se rendido ao Realismo. Lembro-me de Satine em um sem-número de aspectos. Mais que isso – assemelho-me a ela em grande parte deles.

[Lacrimosa: “Durch Nacht Und Flut”]

Satine cantava que os diamantes são os melhores amigos de uma garota. Ela era uma prostituta. Vendia seu corpo em troca de dinheiro. Pois bem; nem mesmo toda a postura metrossexual pôs-me dentro dos padrões de beleza social, logo, não teria muito sucesso vendendo meu corpo. O que me resta é vender minha alma e minha dignidade. Talvez, em um mundo de feras [onde invariavelmente, sente-se também a necessidade de ser fera], este seja o único meio de encontrar um pouco de paz.

[Sigur Rós: “Hjartað Hamast Bbamm Bamm bamm)”]

Consideremos também a fraqueza de meus pulmões em breve há de transformar-me no mais novo tuberculoso da galáxia. A tosse em breve virá acompanhada do mesmo sangue que sela a história com a máscara da tragédia. Será porque os bacilos de Kock são extremamente poderosos? Não, creio que a opção de perder o jogo de cabeça erguida é muito mais coerente. Perder a vontade de viver... Poético e constante. Uma grande sorte é a existência de seres que ainda assim fazem valer a pena suportar tais provações. Pois, dependendo, somente de mim, a cicuta brindaria meu último coquetel

[Laibach: “Espana”]

Satine morre.



Laibach: "Opus Dei"

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Seqüência lógica [ou não]...

Sábado de visita técnica ao centro de minha amada cidade de São Paulo. Visualização do programa “Holocausto Paulistano”, posto em prática por nosso ilustre prefeito Adolfo Benito Kassab. A quem ignore, mendigos estão sendo retirados de diversas áreas “nobres” do centro da cidade, para que estas sejam utilizadas em prol do maior câncer já criado pela humanidade: o Turismo Sustentável. [Na realidade, o câncer é apenas o Turismo, porém, o processo de lavagem cerebral ao qual tenho sido submetido desde 2006 alcançou um estágio no qual os termos de persuasão da maligna política de turismólogos sem coração já se apregoaram tal qual tatuagem em meu córtex...] A quem possa interessar, esta retirada não está sendo realizada de forma pacífica. Qualquer semelhança com a Europa de meados dos anos 30 não será mera coincidência.

Visita à casa de um companheiro querido, com companhias não tão queridas assim. Chuva. Muita chuva. Tosse seca, constante, dolorosa e desesperada. Garganta inflamada. Iodo.

Projetos de readequação do centro da cidade [tradução: imitações canhestras de Gestapo, SS & Totenkopf gratuitas, financiadas pela nobilíssima instituição federal na qual me encontro matriculado]. Gritos. Estresse. “SE EU NÃO FIZER ESSA PORRA, NINGUÉM FAZ!!!”. Elogios de natureza semelhante. Tosse igualmente dolorosa. Garganta fechando. Crise de asma.

Fofocas. Chuva. Tosse desaparece [“A hora mais negra vem antes da aurora” – The Mission in “The Light That Pours From You”]. Sono agitado.

Telefone. Contratação. Novo emprego na área de monitoria. Star Wars. Salário maravilhoso. Serviço idem. Alegria inigualável. Palavrões e muito E.B.M. para comemorar.

Aniversário. Pessoas desagradáveis. Aniversariante querida. Responsabilidade de acordar cedo no dia seguinte, em virtude do treinamento para o novo emprego. Leve tosse.

Treinamento. Descoberta mágica: Star Wars é uma doença. Fãs de Star Wars definitivamente não são pessoas normais. Frio a 28°C. Leve dor de cabeça. Horário de almoço. Comida chinesa [onde o vegetarianismo definitivamente não tem vez...]

Febre muito alta durante o treinamento [“A aurora vem antes da hora mais negra.” – Allan in “Desconstruindo The Mission”]. Tosse absurdamente dolorosa. Dores por todo o corpo. Semi-desmaios também durante o treinamento. Dor de cabeça infernal. Muitíssimo frio. Casal querido que está sempre ao meu lado quando preciso, como uma mão que lava a outra. Casa. Meu Amor ao telefone. Saudades. Banho. Chá. Mais iodo. Paracetamol. Muito paracetamol. Lutadores de Caratê dentro de cada um de meus neurônios. Muita tosse. Muita dor pelo corpo inteiro.

Celular despertando às 06h00min para mais um dia de treinamento na nobre arte de Star Wars. Tosse violenta. Expectoração. Expectoração. Expectoração com sangue. Expectoração com muito sangue. Treinamento muito lúdico & divertido. Pessoas com medo de contrair tuberculose durante o treinamento. Pessoas com arrogância a nível 10 e conteúdo a nível 2. Muito suor. Muito frio.

Tosse diminuindo. Allan repensando a respeito de “Desconstruindo The Mission”. Leve dor de cabeça. Pensamento militar [no Caratê, o sensei ensina que “Soldados não sentem medo! Soldados não sentem dor! Soldados não conhecem o ‘porém’! Soldados seguem em frente SEMPRE!” – Este pensamento militar me segue desde os oito anos...]. Parada para relatar uma semana corrida e dolorosa para aquelas [Sim, AQUELAS. Nenhum homem, ou pseudo-homem, visita esta página] que porventura se divirtam visitando esta página. Então, minhas nobres companheiras, divirtam-se.

SAG AUF WIEDERSEHEN!

SAG AUF WIEDERSEHEN!

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Hocico: "Gota de Sangre"