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sábado, 9 de agosto de 2008

Tome café com Amor. Faça sexo com leite.

Sou viciado em sexo. Quem me conhece há certo tempo sabe disso. Às vezes, preciso de sexo até quatro, cinco vezes ao dia. E eu falo de sexo sem amor. Sim. É estimulante. E gostaria de compartilhar alguns de meus pontos de vista em relação ao sexo, afinal, nem todos gostam tanto de sexo como eu. Um caso claro é o de minha digníssima. Ela odiava. Talvez, por vir de uma família religiosa que sempre o enalteceu como sendo algo muito bom. Mas o fato é que, com muita cautela, esta situação foi se alterando. Eu, sempre querendo compartilhar de meu vício incurável com ela, acabei por convencê-la de que seria um hábito agradável. Hoje, sempre que possível, rendemo-nos ao vício, coisa que a família dela simplesmente adorou. Minha mãe, igualmente viciada em sexo, me deu os parabéns quando lhe revelei minha vitória.

Eu citei o sexo sem amor, não é? Sim, por certo tempo, eu aboli o amor de minha vida, por saber de todas as coisas ruins que ele causa, todo o sofrimento a inocentes, dentre outros fatores que a grande maioria das pessoas sequer faz idéia. Hoje, eu tenho uma relação um pouco mais próxima com o amor, mas não tão direta, pois ainda mantenho muitos dos meus pensamentos de três anos atrás. Ainda evito contato direto com o amor, ainda me causa certa repulsa.

Mas é bom revelar que nem sempre este meu vício em sexo foi visto com bons olhos. Minha madrinha, quando eu, bem mais jovem, mostrava claríssima propensão ao vício em sexo, repreendia-me severamente. Dizia que aquilo não poderia ser bom para uma criança (mas você não gosta de sexo, madrinha?), que adultos possuem um organismo diferente e outras argumentações que definitivamente não me convenciam. Às vezes ela dizia que, o sexo com amor era até aceitável, mas o sexo puro, para uma criança, era inadmissível. A isso, respondia que, cientificamente, o sexo estimulava a atenção e até o condicionamento físico, o que, para alguém em idade escolar, era maravilhoso. Respondia que o sexo era bom para o desenvolvimento da economia nacional. Descobri, também, que “os adultos” preferiam trabalhar em locais que lhes permitissem ter acesso a um bom sexo de vez em quando e que, sabendo disso, algumas empresas ofereciam sexo durante o expediente. Eu, no auge de meus oito anos, achei sensacional! Sexo no local de trabalho... Como este mundo está moderno...

Agora, mudando completamente de assunto, o tema “café” também não me sai da cabeça. Sim porque certa vez ma falaram sobre o café puro, pureza, limpeza, castidade do café... Enfim. Por que o café puro é o café misturado ao leite? O café puro não deveria ser somente “o café”? Definitivamente, estas construções ideológicas que o povo e a cultura fazem sobre o café, talvez por pudor ou ignorância, realmente me enojam. Por que tanto barulho? Por que não permitir que o café seja simplesmente o café? São tantas coisas que ouço a respeito desde criança que, francamente, me desespero. O café é o caminho mais rápido para cair nas mãos de Satanás; o café é a profanação do templo de Deus; o “café solitário” causa espinhas, pêlos nas mãos, crescimento de mamilos nos homens, loucura, transforma as mulheres em excluídas sociais; tudo isso. E sabe por que eu tenho pensado a respeito do café? Pois bem, no próximo parágrafo, eu explico.

Estava eu a conversar com uma amiga (digna de ser amada) sobre café, café com leite, café sem leite e os diferentes prazeres de cada um deles; e é interessante ver todos os liames sociais relacionados ao assunto. Ela afirmou nunca ter feito café sem leite, que o leite era imprescindível (depois, ela ainda baixou um pouco a guarda, dizendo que poderia haver mais café que leite, mas o leite ainda era absolutamente necessário para se degustar o café!). O café puro sempre parecerá impuro, e isso infelizmente é uma anátema. Infelizmente.

Mas eu pergunto a mim mesmo: por quê? Qual é o grande mistério que faz do café algo tão intocável, amaldiçoado e enfim. Não é pelo café que a humanidade permanece neste bendito planeta? Então, por que condená-lo? O café não é, infelizmente, responsável por uma boa porcentagem da economia nacional? Então, por que a máscara da hipocrisia insiste em permanecer nas faces ruborizadas pela cafeína? Todos gostam de café, seja entre iguais ou diferentes, todos gostam de café. Alguns preferem o café fresco, outros preferem o café forte e fervendo, mas ninguém vive sem ele, literalmente.

Então, chego a uma conclusão interessante. Seja falando de sexo ou de café, acabo caindo nas verdades absolutas e nos assuntos intocáveis. As anátemas somente atravancam o desenvolvimento e a curiosidade para o aprendizado. Por que gostar de sexo? Por que gostar de café? Porque sim? Porque sim não é resposta... A resposta é: porque sexo é bom, com leite ou não. E café é bom, com amor ou não.

Agora, com licença, acho que vou tomar um sexo ou fazer um café...

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